RESENHA: O NOME DO VENTO – PATRICK ROTHFUSS

04/08/2017   |   por   |   3 comentários
Livro: O Nome do Vento
Autor (a): Patrick Rothfuss
Editora: Arqueiro
Páginas: 656
Sinopse: Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano – os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.
Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade.
Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade – notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame.
Nesta provocante narrativa, o leitor é transportado para um mundo fantástico, repleto de mitos e seres fabulosos, heróis e vilões, ladrões e trovadores, amor e ódio, paixão e vingança.
Minha Nota: 5/5
MINHA OPINIÃO
Essa foi uma das experiências mais incríveis que eu já pude ter com um livro. Acredito que o autor Patrick Rothfuss esteja no meu top 3 autores preferidos da vida, perdendo no ranking apenas para J R R Tolkien e George R R Martin.
Aqui somos apresentados para a história de Kote, proprietário da hospedaria Marco do Percurso, ele se mostra um homem misterioso, inteligente e ótimo cozinheiro (segundo o paladar de todos os que passam por sua hospedaria).

Fonte: Pinterest

“Uma verdadeira história leva tempo para ser preparada.”

Em sua hospedaria muitas histórias são contadas pois por lá passam pessoas de vários lugares, mesmo que ultimamente isso não tenha acontecido com muita frequência, dadas as circunstâncias dizem que as estradas estão perigosas e que elas não são mais as mesmas de antigamente. Muitas coisas acontecem, e Kote acaba tendo seu destino seguindo por um rumo diferente. O Cronista cruza seu caminho, é um homem que busca conhecer heróis, lendas e transcrever suas histórias. O Cronista na realidade sabe que Kote é Kvothe e a história que rodeia este nome é conhecida por todos os quatro cantos da civilização. O Cronista enfim consegue convencer Kvothe a lhe contar a história da sua vida, e Kvothe concorda porém ele o fará em apenas 3 dias.

Fonte: Pinterest

“Meu nome é Kvothe, com pronúncia semelhante à de “Kuouth”. Os nomes são importantes, porque dizem muito sobre as pessoas. Já tive mais nomes do que alguém tem o direito de possuir. Os ademrianos me chamam de Maedre, o que, dependendo de como é falado, pode significar “A Chama”, “O Trovão” ou “A Árvore Partida”.

“A Chama” é óbvio, se algum dia você já me viu. Tenho o cabelo ruivo, vermelho vivo. Se tivesse nascido há uns 200 anos, é provável que tivessem me queimado na fogueira como demônio. Eu o mantenho curto, mas ele é rebelde. Deixado ao natural, fica espetado e faz com que eu pareça estar pegando fogo.
“O Trovão” é um nome que atribuo à voz forte de barítono e a uma longa formação no palco, em idade precoce.

Nunca pensei em “A Árvore Partida” como muito significativo. Mas, em retrospectiva, suponho que poderia ser considerado ao menos parcialmente profético.

Meu primeiro mentor me chamava de E‟lir, porque eu era inteligente e sabia disso. Minha primeira amada de verdade me chamava de Duleitor, porque gostava desse som. Já fui chamado de Umbroso, Dedo-Leve e Seis-Cordas. Fui chamado de Kvothe, o Sem-Sangue; Kvothe, o Arcano; e Kvothe, o Matador do Rei. Mereci esses nomes. Comprei e paguei por eles.
Mas fui criado como Kvothe. Uma vez meu pai me disse que isso significava “saber”. Fui chamado de muitas outras coisas, é claro. Grosseiras, na maioria, embora pouquíssimas não tenham sido merecidas.
Já resgatei princesas de reis adormecidos em sepulcros. Incendiei a cidade de Trebon. Passei a noite com Feluriana e saí com minha sanidade e minha vida. Fui expulso da Universidade com menos idade do que a maioria das pessoas consegue ingressar nela. Caminhei à luz do luar por trilhas de que outros temem falar durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e escrevi canções que fazem os menestréis chorarem.

Vocês devem ter ouvido falar de mim.”

E é assim meus caros leitores que seremos apresentados a uma narrativa MARAVILHOSA (sim com letra maiúscula porque não existem palavras suficientes para descrever o quão sensacional é essa obra-prima de livro). A narrativa é poética, cheia de frases impactantes e eu poderia dizer até filosóficas, você consegue se sentir totalmente inserido nesse universo. Na verdade em diversos momentos eu senti como se Kvothe estivesse ao meu lado me contando sua história, eu pude sentir as emoções do personagem.

Fonte: Pinterest

“Não importa como você leve sua vida, sua inteligência o defenderá melhor do que uma espada. Trate de mantê-la afiada!”

A forma com a qual o autor narra tudo é tão intensa e real que é impossível largar o livro. É aquele livro que te consome por inteiro e você só percebe porque não consegue pensar em outra coisa. Os personagens são muito bem construídos, o protagonista é complexo, com qualidades e defeitos que o tornam real e intenso, sua memórias, traumas e sentimentos são extremamente palpáveis. Sem sombra de dúvidas esse personagem é o meu preferido de toda a vida, por toda a sua complexidade e beleza. Eu sou uma viciada em personagem com todo esse background que Kvothe tem.

Fonte: Pinterest

“A MAIOR FACULDADE que nossa mente possui é, talvez, a capacidade de lidar com a dor. O pensamento clássico nos ensina sobre as quatro portas da mente, e
cada um cruza de acordo com sua necessidade.
Primeiro, existe a porta do sono. O sono nos oferece uma retirada do mundo e de todo o sofrimento que há nele. Marca a passagem do tempo, dando-nos um distanciamento das coisas que nos magoaram. Quando uma pessoa é ferida, é comum ficar inconsciente. Do mesmo modo, quem ouve uma notícia dramática comumente tem uma vertigem ou desfalece. É a maneira de a mente se proteger da dor, cruzando a primeira porta.

Segundo, existe a porta do esquecimento. Algumas feridas são profundas demais para cicatrizar, ou profundas demais para cicatrizar depressa. Além disso, muitas lembranças são simplesmente dolorosas e não há cura alguma a realizar. O provérbio “O tempo cura todas as feridas” é falso. O tempo cura a maioria das feridas.

As demais ficam escondidas atrás dessa porta.
Terceiro, existe a porta da loucura. Há momentos em que a mente recebe um golpe tão violento que se esconde atrás da insanidade. Ainda que isso não pareça
benéfico, é. Há ocasiões em que a realidade não é nada além do penar, e, para fugir desse penar, a mente precisa deixá-la para trás.

Por último, existe a porta da morte. O último recurso. Nada pode ferir-nos depois de morrermos, ou assim nos disseram.”

E os outros personagens que aparecem ao longo da história não ficam atrás de jeito nenhum, é absolutamente incrível como Patrick Rothfuss consegue fazer com que todos os seus personagens sejam incrivelmente perfeitos e reais sem se atrapalhar ou desmerecer qualquer um deles. A história é repleta de muito mistério e magia e a medida que a leitura vai fluindo você percebe o quão criativa e única é a história e todo o universo cheio de características próprias. Há humor, drama, romance, muita aventura e lutas de tirar o fôlego.

“Meu avô sempre me disse que o outono é a época certa para arrancar as coisas que a gente não quer que voltem a incomodar – disse, e acrescentou, imitando o tremor dá voz de um velho: – “As coisas ficam muito cheias de vida na primavera. No verão ficam fortes demais e não se soltam. O outono é a época. No outono tudo se cansa e fica pronto para morrer.”

Eu poderia passar boa parte da minha vida falando sobre o quanto eu sou apaixonada por essa obra e não chegaria a metade do que ela merece. Mas caro leitor, se você ama fantasia esse livro merece um destaque em sua estante, em sua mente e em seu coração. Aqui neste livro temos a receita perfeita para o sucesso, um livro baseado em um universo diferente, com enredo baseado em memórias e com toda a certeza arrebatou corações de diversos leitores.

“Você não pode entender sem tê-la visto pessoalmente. É como o oceano. Posso lhe falar das ondas e da água, mas você nem começa a ter idéia do seu tamanho enquanto não ficar parado na praia. Só se compreende realmente o oceano quando se está no meio dele, sem nada além de mar por todos os lados, estendendo-se até o infinito. Só então a pessoa se apercebeu de como é pequena e impotente.”

Vale a pena conferir e se apaixonar assim como eu pela escrita fantástica de Patrick Rothfuss. E por hoje é só. Até sexta feira que vem com mais resenhas fantasticas pra vocês. Beijos e até breve!

Publicado por Camila Campos

Sou a Camila, mais pode me chamar de Cami! Amo muitas coisas nessa vida, tenho o espírito mutável e livre, amo a liberdade, a natureza, os livros, os animais e comida! Quer me conquistar me ofereça uma coxinha e um livro! Por ter essa enorme paixão por livros desde que era criança, decidi criar um blog pessoal e um instagram além de participar ativamente como Resenhista aqui no Literalmente Falando juntamente com a Sanny Santos. Vem comigo conhecer minhas opiniões um tanto quanto diferentes dos livros que li.

Categoria's: Fantasia, Livros, Resenhas

3 Comentários

  • Jaqueline Oliveira

    09/08/2017 at 14:46 Responder

    Adorei o post, me interessei pelo livro, já esta na minha listinha haha <3

  • Sussurrando Sonhos

    09/08/2017 at 22:17 Responder

    Sou louca para ler esse livro, amo gênero assim e sua resenha está magnifica, não vejo a hora de ler.

    Um beijo da jhenny

    https://sussurrandosonhos.blogspot.com.br/

  • Corujando nos Livros - Rosário P.

    15/08/2017 at 15:00 Responder

    Quão generoso esse autor é. Além de gerar uma história cheia de ramificações profundas, ele ainda mistura estilos no gênero literário e exalta seus personagens. Amei a resenha, sem contar que me fez ficar com mais interesse nas obras do autor. Já vi a Feltrin falar do Patrick e óh: bom demais.

    Parabéns pelo post.

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